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04 março 2011

À manca com carinho

2005 não foi um bom ano para mim. Quem estava lá viu, sentiu, me viu chorando pelos cantos e corredores. Entretanto, a preocupação de uma pessoa mexeu particularmente comigo naquela longínqua época.

Aquela senhora de cabelos curtos tinha uma intimidade com a história assustadora. Apelidada secretamente de "manca", apresentava-nos Dom Pedro II como "Pedrinho", Napoleão como o "baixinho encrenqueiro" e João VI como o "gordo mal-educado". Estes e muitos outros personagens fizeram parte de nossa escola por dois anos, formando a cada bimestre mais uma leva de alunos interessados em fofocas de vários períodos históricos.

Como todo bom profissional, a senhora de voz imponente aplicava teste difícieis, que exigiam mais reflexão do que decoração de datas. A participação de todos os alunos (que explicavam oralmente o que entendiam dos textos que ela ditava) era fundamental, e difícilmente a senhora manca dava uma nota máxima, o que claramente provocou a antipatia de muitos. Mas sua competência em lecionar se sobressaltava, era o que importava.

Como uma das melhores e mais participativas da turma, tirava um "B" com muito esforço, o que me deixou encabulada algumas vezes. No segundo ano, quando quase todos os meus problemas adolescênticos resolveram florescer de uma única vez, decidi que não iria mais participar das aulas, limitando-me em minha insignificância. E assim passamos quase um mês, embora a vontade de expor minha opinião me corroesse por dentro. Tantos problemas em mente que não conseguia perceber que estava prejudicando apenas a mim mesma, abdicando do gozo de ser aplicada.


Foi então que, na primeira semana de volta às aulas, ela caminhou até a minha carteira e perguntou se eu estava melhor. Surpreendida com a indagação, ela me respondeu com palavras que ecoam há anos em minha mente. "É que antes das férias eu percebi que você estava mal, não quis falar nada, mas quando o aluno é bom a gente fica preocupada. Mas fico feliz que você esteja melhor". A sobriedade daquele elogio pode não ter tido efeito nenhum nela (e nem deveria ter), mas era realmente o que eu precisava ouvir. Dali em diante, eu não iria participar de qualquer aula pela nota, mas porque sabia que existiam pessoas que acreditavam em mim.

Aproximadamente um ano após este episódio, a professora Lilian nos deixou, sem eu ter tido a oportunidade de agradecê-la por tanto conhecimento sobre história e sobre a vida. Nunca pude dizer o quanto eu a admirava, mas tenho certeza que ela sabia disso, afinal, ela sabia de tudo. Sei que ela está bem onde está, discutindo história com o baixinho encrenqueiro e com Pedrinho. Obrigada.

Com o amor de sua aluna quase jornalista graças a você,
Fernanda Alcântara

29 dezembro 2010

Último post do ano

Com este tótulo auto-explicativo me despeço a este blog. Pelo menos por este ano.

Posso dizer que 2010 foi um bom ano. Minha vida profissional mudou bastante. Na falta de um, dois estágios me sugaram o pouco de energia e juventude que eu desconhecia possuir. Encarei muitas vezes com preguiça, desdém, mas também com garra, coragem, ao menos para aguentar tanta pressão somente até o final do ano. E consegui.

Na área acadêmica, comecei a sentir as garras e o bafo quente de um monstro chamado TCC. Sim, ele me assustou, me fez chorar mais do que qualquer outra matéria (afinal, este ano, pela primeira vez, não fiquei de exame). Mas até este monstro que arreganha os dentes com tanta raiva parece ter se acalmado e twittado: "não sou tão feio assim. Pode chegar perto". Estou mais serena para encará-lo também.

Do ponto e vista musical não deixou por menos. Ver Smashing Pumpkins e chorar com o show mais emocionante da minha vida até o momento não é pouca coisa. Mudhoney (!) e virada cultural integram-se a esta lista, com as devida considerações ao meu companheiro de aventuras e único leitor deste blog. ;)

Amigos merecem um parágrafo à parte. Pessoas capazes de andar até o Ibirapuera mesmo com gripe ou  caolhas, ou que sabem que as vezes um Big Mac pode fazer milagre ou que apenas ficam ao seu lado quando tudo parece desabar, com um olhar sincero e calmo que te dá forças para qualquer coisa. Agradeço 2010 por tais momentos.

Por último, a vida afetiva mostrou-se mais uma vez consolidada, mas não estagnada. A cada dia, surpresas e sentimentos fazem coisas simples entrarem para nosso álbum de recordações. Dois anos com uma pessoa é bastante tempo, e amando tão intensamente parece até milagre.

Enfim, declarações a parte, agradeço por todos os momentos bons e ruins deste ano. Sei o quanto 2011 se mostra instável e inseguro para mim, mas pensando em todos estes sentimentos (muitos deles compartilhados aqui), penso: e porque não? Que venha, mostre-se e acabe com todos os meus medos de "ano-novo". Amém.

24 dezembro 2010

Feliz natal!

13 dezembro 2010

2 Anos

Um poeminha rápido só para deixar a data registrada. Sabe comé, final de ano signigica sem tempo para nada.


Quem não tem namorado
Carlos Drummond de Andrade 

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namoro de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.


Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas, namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado, não é que não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter um namorado.

Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa é quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar.

Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora em que passa o filme, de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d'agua, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos e musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo, e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e de medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras, e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada, e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo da janela.

Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uam névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteira. Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. Enlou-cresça.

23 novembro 2010

Planeta Terra 2010 - Impressões

16h00 - Mombojó
Banda legal. Mais uma daquelas brasileiras com um sotaque carregado do vocalista. Não vi o show inteiro, mas achei bacana para quem curte este estilo. 9 horas e meia para os Pumpkins.

17h30 - Novos Paulistas
Típico grupo da Nova Brasil FM. Um monte de gente gosta, mas eu acho chato, cansativo e nada a ver com o festival em si. Vi o show de costas, confesso, mas não me arrependo. 7 horas para os Pumpkins.

19h00 - Of Montreal
Transsexual Transgressor demais para mim. Umas coisas estranhas, muito estranhas. Performance psicodélicas, não entendi nada, nem banda, nem letras. E até agora estou me perguntando se o vocalista era menino ou menina. 6 horas e meia para os Pumpkins.

20h30 - Mika
E para quem pensou que o festival estava perdido tirando os Pumpkins, conheci o Mika. Ele é tipo um Chris Martin com Fredy Mercury, Jason Mraz e Elton John, saca? Enfim, músicas fofas, bela performance em palco, apaixonei. 5 horas para os Pumpkins.

22h00 - Phoenix
Eu gostei das músicas, mas acho que preferia elas no estúdio. Entretanto, a performance louca do vocalista foi cativante, se jogando duas vezes no público. Ele é tipo um Mark Arm (Mudhoney) em seus bons tempos. Gostei maomenos. 5 HORAS PARA O SMASHING PUMPKINS PORRA.

23h30 - Pavement
Ah, o tão esperado Pavament. Sinceramente gostei. Eles arrasam ao vivo, e olha que eu estava morrendo de ansiedade e de sono, mas conseguiram prender a minha atenção. (e foi a única banda exigentemente pontual, começando enquanto ainda tava rolando o comercial do festival). OMG. SMASHING PUMPKINS. FALTA POUCO, MUITO POUCO.

29 julho 2010

Abóboras no Brasil

"Time 
is never time at all
You can never ever leave without leaving a piece of youth
And our lives are forever changed
we will never be the same
the more you change the less you feel"
Tonight Tonight
 
Smashing Pumpkins (Abóboras esmagadas em tradução livre) é uma banda grunge-gótico-alternativo(e recentemente psicodélica) que alcançou seu auge nos anos 90', com Billy Corgan no vocal, James Iha na guitarra, D'arcy Wretzky no baixo e Jimmy Chamberlin na bateria e percussão. A banda, que passou por um grande hiato desde 2000 por motivos de brigas internas, drogas e outras coisas típicas de bandas de rock, voltou em 2006, com algumas mudanças na formação original. Atualmente, somente Corgan continua na banda, que tem lançado as faixas do novo CD para downloads gratuitos na internet. No site oficial da banda, foi confirmado a presença deles no festival Planeta Terra, a ser realizado no dia 20 de novembro deste ano no parque de diversões Playcenter.
Tá, aí você me pergunta: e eu com isto. Eu, educadamente, respondo: não sei qual é a sua relação com esta banda, mas pra mim, tudo mudou. Meus quinze anos de volta. Se você me conhece, principalmente por msn, sabe que eu sou louca por esta banda. As letras mais profundas e sombrias sobre a conturbada e triste adolescência flutuam entre as letras e as melodias dos Pumpkins. Me sinto eufórica, e contente, e anciosa, e feliz, e conturbada. Tudo ao mesmo tempo. Faz anos que não me sinto assim. Acho que desde quando conheci a banda, mesma época em que me apaixonei por outros como Alice in Chains, Nirvana e Pearl Jam. E sim, este não é um post de uma estudante do terceiro ano de jornalismo da Cásper Líbero, mas sim de uma fã enlouquecida que, desde que foi confirmado oficialmente o show, não consegue ouvir outra coisa. O fato é que faltam 121 dias para eu estar no mesmo ambiente que um ídolo dos meus tempos mais sombrios, um dos poucos que ainda vivem. E não perderei este show por nada que seja deste mundo.

"Inside of me and such a part of you
Ooh, the years burn"

18 julho 2010

Viagem a Minas Gerais

  Pão de Queijo

Doce de Leite


Goiabada


Bolos




Fato: Minas é uma delícia.

01 julho 2010

Para descontrair

Acho esse texto que postei muito pra baixo. Para recompensar, segue o vídeo mais guti-guti que eu já vi na internet. Ele é antigo e provavelmente você já cruzou com ele antes, mas sempre vale a pena ver denovo.

17 junho 2010

Mudanças...

... de layout e design.

Legal né?

04 maio 2010

Declaração de amor curta - e séria

Quem um dia definiu a idéia "quem tem amigos tem tudo" estava certo.
Assim, rápido, simples, quem tem amigos: tem tudo.
Você pode brigar, se esconder, ignorar. Mas eles estarão lá. E te entenderão.
Acabei de lembrar o quanto gosto e admiro os poucos - e verdadeiros - amigos que tenho. Não preciso citar nomes, eles sabem quem são. E não me acham carente por dizer que os amo.
Quem tem amigos, tem tudo.
Só quero acrescentar mais uma coisa, se o ser magnífico que definiu esta frase me permitir.
Quem tem amigos e um namorado que, além de amante e companheiro, é acima de tudo amigo - tem tudo.

E hoje, por alguns instantes, me sinto a pessoa mais rica do mundo.

26 fevereiro 2010

Mudanças


Hoje, 26 de fevereiro de 2010, consegui meu primeiro estágio.

01 fevereiro 2010

E hoje em dia, como é que se diz "eu te amo"?

São três palavrinhas simples, e quem nunca as ouviu para si pode se considerar a pessoa mais infeliz da face da Terra. O fato é que o "eu te amo" dos enamorados é tema de músicas, poemas e declarações, mas vêm perdendo o sentido e o encanto ao longo dos anos.
E afinal, o que significa "eu te amo"? Discutindo sobre isto com meu namorado, chegamos a diversos significados que variam de um "você é importante para mim" até "gostaria de tê-lo(a) sempre ao meu lado". Mesmo tendo tantos sentidos, nunca entendi por que é tão dificíl para nós, casais "supersinceros" do século XXI, dizer um "eu te amo" sem travar a língua, gaguejar ou até trocar por um "adoro você", sem perceber que o "eu te amo" não pode ser substituído.
E o peso destas palavras podem ser ainda maior. Quem profere um "eu te amo" espera de imediato uma resposta, de preferência um "eu também" sincero. O problema é que nem sempre estamos preparados para amar alguém, ou pior, para confessar que amamos, que somos fracos, que estamos entregues áquela pessoa. Aí vem o silêncio, e a dor de um amor possivelmente não compreendido ou mal expressado, e o que resta a fazer é sentar e chorar, ou invejar, inconscientemente, o amor alheio.
Acredito, neste momento da minha vida, que a salvação deste problema para a humanidade seria amar: sem medo, sem culpa, sem resseios. Amar e ser amado. Dizer mais e mais "eu te amo". Porque não tem coisa mais gratificante do que ouvir isto inesperadamente. É bom pra quem diz, é bom pra quem ouve. Já dizia a bruxa do 71: "eu amo, tu amas, seu madruga ama, nós dois nos amamos".

Obs: Te amo Bazan...

02 janeiro 2010

Sonhos, filmes, felicidade

"Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser
Sempre desejada
por mais que esteja errada"

Todo ano é a mesma coisa. Novos sonhos, novas esperanças, uma nova chance de fazer as coisas certas desta vez. Nestas pequenas férias nas quais muitos se encontram no final de ano, três filmes que eu "superrecomendo" fizeram muito bem seu papel de lavar a alma e fazer refletir sobre pessoas, sonhos e principalmente felicidade. Dois deles passaram na tv aberta e um ainda está em cartaz no cinema.

À Procura da Felicidade (The Pursuit of Happyness, 2006) é um daqueles filmes que te garante algumas lágrimas. Resumidamente, Will Smtih é um homem que, abandonado pela esposa, passa por um processo de estágio sem remuneração e enfrenta todo o tipo de dificuldade para conseguir um emprego de corretor. A principal mensagem, obviamente, é que a felicidade sempre será algo a ser conquistado, nunca é de graça. Deixa aquele sentimento: será que sou feliz? O que preciso pra ser feliz? Bem, seja qual for sua resposta, é uma boa pergunta para se começar o ano.

O segundo filme, segue a mesma linha de correr atrás de um sonho. Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine, 2006) é delicado, "engraçadinho", contagiante. A história de uma família neurótica, com diversos problemas, mas que se une enfrentando de tudo pelo sonho da pequena Olive. Este filme analisa não só a busca por um sonho, mas como a união faz a força, por mais piegas que isto pareça. Me lembra o conselho de um amigo que sempre me diz que ninguém consegue ser sozinho no mundo, todos precisamos uns dos outros. Ainda assim, a maior lição de todas em minha opinião é que os verdadeiros perdedores são aqueles que nem ao menos tentam. Voltamos à corrida pela tal felicidade de novo.

Por último, e sintetizando tudo isto, recomendo à crianças e aos mais crescidinhos a nova animação da Disney, A Princesa e o Sapo (2009). Em uma brilhante retomada aos contos de fada o desenho encanta, e como todo bom clássico, dá uma lição diferente do "esperar uma mágica", é o fazer a sua mágica. A princesa a la cinderela trabalha duro por seu sonho, abre mão dos prazeres da vida para juntar dinheiro e realizar seu desejo de abrir um restaurante, algo do tipo "me sacrifico agora para ser feliz depois". Enquanto isso, o príncipe (que mais parece aqueles malandros dos anos 30), só quer saber de farra, festas, botecos, barzinhos, enfim, você entendeu. Juntos, os personagens mostram que a tal da "felicidade" está em um meio termo das duas maneiras de encarar a vida. E, se me permitem uma observação, vale a pena pela trilha sonora.

O fato é que 2010 tá aí. Olho pra ele e começo a traçar os planos, tentando responder à pergunta sobre o que me falta para ser feliz, o que afinal é a vida. Na dúvida, eu fico com a pureza das respostas das crianças: é bonita, é bonita e é bonita.

28 dezembro 2009

Nada como ficar sozinho em casa...


21 dezembro 2009

Balanço 2009

Shows perdidos em 2009..........3 (Faith no More, Sonic Youth, Killers)
Empregos novos............................1
Celulares perdidos.......................Nenhum (pela primeira vez em 4 anos)
Festas da Cásper.............................Nenhuma (nerd maldita)
Exames............................................1 (Português, pra variar)
CDs Comprados...............................1 (Hole, tava na promoção)
Novos amigos..................................1 (Bia ^^)
Novos inimigos................................2 (não conto nem ferrando)
Chapéu novo......................................2
Amizades perdidas e depois encontradas.....................1
Crises existenciais....................................1.886.954.362.985³
Twitter..........................................................1
Blog...............................................1 (este em que vos escrevo)
Namorados.....................................1 (e ainda estou com ele!!)

É possível perceber assim um saldo positivo nas contas de 2009, com boas perspectivas para o próximo ano. ;)

11 dezembro 2009

Era uma vez...

Era uma vez uma moça que morava em uma casinha simples com seus pais e sua irmã. Ela trabalhava, estudava, dava combalhotas, enfim, fazia de tudo para sobreviver. Até que um dia ela encontrou um jovem príncipe que tranformou a vida dela aos poucos. Na verdade, esse príncipe não chegou em um cavalo branco (ele nem mesmo tinha um cavalo), mas escondia um grande segredo. A jovem e o príncipe então começaram uma grande amizade, porém o segredo do príncipe, que inicialmente impedia a mocinha se apaixonar por ele, fez crescer ainda mais o carinho entre os dois até o dia em que ambos se viram apaixonados um pelo outro, algo que ninguém poderia explicar.
Passado alguns meses, depois de muitas brigas e do Reino Casperiano inteiro saber do amor dos dois, o príncipe finalmente tomou coragem e pediu a mão da jovem em namoro. Ele não prometeu felicidade eterna, afinal, ele tem o grande defeito de ser humano (um dos mais complexos por sinal). Porém, ele é o único que faz a jovem se sentir uma princesa, oferecendo-lhe amor, carinho e atenção.
Essa história não tem bruxas, madrastas más, monstros, a não ser os próprios fantasmas que cada um carrega consigo, e não será como magia que a vida dela se transformará em conto de fadas, mas sim com muito suor, dor, alegrias e tristezas. Ninguém sabe ainda se eles viverão felizes para sempre, mas como diria o poeta: "que seja eterno enquanto dure". Já durou um ano.

Fim???

03 dezembro 2009

A rosa de Hiroshima, a rosa radioativa

Como descrever a tragédia que deixou mais de 140 mil mortos e que até hoje é uma vergonha para a humanidade? O livro Hiroshima, de John Hersey, responde com um retrato preciso e marcante de uma das tragédias mais comoventes do século XX. Entretanto, quem espera encontrar no livro algo melodramático digno de hollywood ficará decepicionado. Com um relato fiel de seis sobreviventes da bomba atômica – um pastor, um padre, uma secretária, dois médicos e uma viúva- Hersey mostra hábitos de pessoas comuns, cuja banalidade do cotidiano foi substituída por uma luta pela sobrevivência. Mais do que um relato sobre a bomba, Hersey fala sobre humanidade, sem precisar contar nada mais do que fatos.

Hiroshima marcou a história como um dos primeiros trabalhos do gênero conhecido como “novo jornalismo” ou “jornalismo literário”. Com esse estilo jornalístico, o autor faz com que a reportagem, de tão extraordinária e completa, se torne muito mais parecida com uma ficção. O leitor viaja até 1945 através de uma apuração consistente, acompanhando junto às personagens todo o sofrimento de um povo através de dados oficiais e não-oficiais, de um trabalho que não é baseado na dor e na morte, mas na luta pela vida em um texto enxuto e direto. Hersey simplesmente anotava tudo que ouvia e via, e por meio da história dos seis sobreviventes, publicou um ano depois a reconstrução do inferno por baixo do cogumelo radioativo.

Com o sucesso da publicação no The New Yorker, John Hersey voltou à Hiroshima quarenta anos depois, concluindo o último capítulo dos hibakushas – como eram chamadas as pessoas atingidas pelos efeitos da bomba. Após a tragédia, estas vítimas passaram a sofrer não só com os efeitos econômicos e fisiológicos que a bomba lhe deixara, mas também com o preconceito do governo e da sociedade.

Após a explosão da bomba atômica era como se todos quisessem esquecer o que aconteceu e começar de novo, mesmo que isso fosse impossível. Até hoje não se tem com precisão quantos foram os mortos, quantos os feridos, mas Hersey dá voz àqueles seis cuja a vida foi moldada após o acidente, seja através do pastor que seguiu a vida palestrando e lutando contra novos teste de bombas nucleares, seja apenas como uma lembrança triste do dia 6 de agosto de 1945.

A visão ocidental das dimensões do que aconteceu nas cidades de Hiroshima e de Nagazaki até hoje é muito vaga, e, de tão triste, parece esconder-se, evita-se comentar. Hiroshima vem para preencher essa lacuna, tranformando dados em algo de fácil acesso, ensinando e entretendo, e, mais que tudo, incentivando a reflexão. Quando a reportagem se aproxima da arte.


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Trabalhos da Faculdade: sempre gratificantes.

28 outubro 2009

Praia de paulistano

Temperatura entre 27 e 32º. Cerca 30 cadeiras de praia enfileiradas em um gramado verdinho, em sua maioria acompanhadas de guarda-sol protegendo aqueles que desejam relaxar à sombra, com direito até a mesinha. Este cenário típico de litoral pode ser encontrado no terraço do Centro Cultural São Paulo, localizado na rua Vergueiro, centro de São Paulo.
Conhecido por sua biblioteca e por ser recanto de todos os tipos de "nerds" (sejam eles jogadores de RPG ou aspirantes à USP), disponibilizou-se o espaço para quem quiser descansar um pouco do ambiente urbano da cidade. A estratégia realmente funcionou: lugares na sombra fresca do guarda-sol são disputadíssimos nos dias mais quentes, e para aqueles que não se sentem à vontade nas cadeiras, o Centro Cultural São Paulo disponibilizou também esteiras entre as cadeiras.
Ao invés de ouvir o som do mar, o público ouve o trânsito da 23 de Maio logo ali atrás. No cenário, nada de oceano ou mata atlântica: apenas a nossa selva de pedra paulistana. Nada que não possa ser resolvido com um bom MP3, sem maresia, sem areia grudando no pé. Paulistana chata sim senhor. Virou minha praia favorita...

15 setembro 2009

10 Melhores desenhos Pixar - Disney

Bem, como todo mundo adora fazer listas, resolvi pensar na minha dos 10 melhores filmes já produzidos pela Disney com a Pixar. Tudo bem, você pode não concordar, mas eu sou viciada nessa parceria...=]

10 Carros (2006)
Resumo-Tweet: Um carrinho sai da sua rota e descobre uma vila onde conhece amigos e passa a descobrir mais sobre a vida e sobre o mundo.
Crítica: O filme até que "é legalzinho", mas ainda assim nunca fui muito fã. Talvez meu desprezo por automóveis tenha alguma relação com isso. Talvez.
Moral: Na vida o importante não é a linha de chegada, mas a travessia
Lição aprendida: Os homens estão certos, carros tem sentimento
Frase que deixou: (...)

9 Toy Story 2 (1999)
Resumo-Tweet: Continuação do primeiro, Woody acaba descobrindo que é um raríssimo boneco e tem que decidir entre ficar com Andy ou ficar em um museu e ser reconhecimento.
Crítica: Agora confesso algo que fará todos ignorarem essa minha lista: Nunca gostei de Toy Story. Podem falar que eu não tive infância, mas a continuação de um desenho que você já não ia muito com a cara é traumatizante. A segunda crise existencial de Woody é um pouco chata, e a história só cativa pela simplicidade, amor, etc, etc, etc.
Moral: Você não pode fugir do seu passado, mas pode mudar o futuro
Lição aprendida: Nunca confie no que os seus bonecos fazem quando você não está no quarto.
Frase que deixou: Yeeeaaaaahhhh (A vaqueirinha fofa toda hora)

8 Os Incríveis (2004)
Resumo-Tweet: Um ex-super herói decaído resolver reviver suas aventuras e acaba caindo em uma armadilha e envolvendo sua família.
Crítica: Sabe aquela chamada da sessão da tarde "diversão para toda a família"? Então. A história do cotidiano de uma família de super-heróis instiga a curiosidade e a diversão. Enfim, me permitindo fazer aquelas piadas prontas, Os Incríveis é incrível.
Moral: A família é um bem precioso e é preciso aprender a conviver com as diferenças dela.
Lição aprendida: Família a gente não escolhe
Frase que deixou: Senhora, o Zézinho ainda está bem mas eu tô ficando preocupada (Babá durante as revelações dos poderes do bebê. Vide extras do dvd, é o máximo)

7 Toy Store (1995)
Resumo-Tweet: Woody é um brinquedo antigo que vê seu trono ameaçado pelo novo brinquedo de Andy, Buzz. A rivalidade entre os dois acaba levando-os a uma aventura e terão de trabalhar juntos para escapar e conseguir voltar para Andy.
Crítica: Por um motivo simples coloco Toy Store em sétimo: eu tive infância. Lembro-me que sentar no sofá para assistir comendo pipoca e não sair mais. O ano era 95 a primeira pareceria da Disney com a Pixar rendeu este trabalho incrível. Merece respeito.
Moral: A importância da amizade.
Lição que deixou: Nunca confie no que os seus bonecos fazem quando você não está no quarto.
Frase que deixou: Ao infinito... e além (Buzz Lightyear várias e várias vezes)

6 Up! Altas Aventuras (2009)
Resumo-Tweet: Um velhinho prestes a ser levado para o asilo enche sua casa com milhares de balões fazendo com que ela levante vôo e viaje até uma floresta na América do Sul, só que descobre que Russell, um menino de 8 anos, embarcou junto.
Crítica: Pode ser que eu ainda não tenha assistido muitas vezes para conseguir colocá-lo em uma posição melhor, mas o fato é que a nova animação Disney/Pixar é maravilhosa, principalmente por seus personagens tão singulares: um vovô ranzinza e um gordinho chato. Deixa a vontade de adotar os dois personagens para si.
Moral: Sempre corra atrás do seu sonho
Lição Aprendida: Balões aguentam o peso de uma casa e passam dias sem estourar.
Frase que deixou: Esquilo! (Cachorros no meio de qualquer frase. Tem que assistir para entender)

5 Vida de Inseto (1998)
Resumo-Tweet: Flik é uma formiga inventora que terá a ajuda de outros insetos para lutar contra a dominação dos gafonhotos em seu formigueiro.
Crítica: É a hora que alguns dizem indignados: como assim você deixa esse filme fraco em quinto lugar? Primeiro: Era 98, posso usar o mesmo argumento da superação em relação à qualidade quanto a Toy Store. Tem também o fator externo, foi lançado junto com Formiguinhaz, e em termos de história e qualidade deixa o outro bem para trás. Fora que esse herói é demais, ele é fraco, mentiroso, tranbiqueiro, e não porque quer, mas porque em uma sociedade feminista as formigas se viram como podem. Uhu!
Moral: A união faz a força
Lição aprendida: Aqueles insetos dos quais você tem nojo são uns amores. E as joaninhas podem ser muito machos.
Frase que deixou: Eu morri.. morri... morri (Joaninha encenando a batalha dos insetos. embora a expressão deles já diz tudo)

4 Ratatouille (2007)
Resumo-Tweet: Um rato que adora cozinhar firma uma parceria com o atrapalhado ajudante de um restaurante, que não sabe cozinhar.
Crítica: Encantador, o filme, no qual eu não apostava nada, é de uma delicadeza sem tamanho, onde o autor lida não só com o sonho de um rato mas nos faz perceber que a beleza interior é o que importa. Fora que Paris é fantástica né? O fim não foi feito para ser engraçado, foi para ser lindo mesmo.
Moral: Não desista do seu sonho, você é o que você quiser
Lição aprendida: Ratos sabem cozinhar, e nem todos gostam de lixo.
Frase que deixou: (...)

3 Procurando Nemo (2003)
Resumo-Tweet: Um filhote de peixe-palhaço vai parar em um aquário em Sydnei e seu pai se arrisca em uma longa busca pelo oceano para encontrar o filho.
Crítica: Sou suspeita para falar dos 3 próximos filmes pois sou completamente apaixonada pelos três. O que falar de Procurando Nemo? Que a personagem Dory é uma das mais apaixonantes personagem de toda a história? Que você se vê envolvido de tal forma que não consegue assistir apenas uma vez? Que o fundo do mar se tornou mil vezes mais fascinante depois desse filme? Não posso dizer tudo isso, não falo Baleiês. Simplesmente fantástico.
Moral: Viva a vida insensamente
Lição aprendida: Peixes-palhaço não são engraçados, peixes podem falar baleiês
Frase(s): *Oi meu nome é Dori (Dori durante todo o filme)
* Prooooooocuranduu Nemuu.. Ondii é que eeelle taahhh...(Dori falando Baleiês)
* Quando a vida te decepciona, qual é a solução? Continue a nadar, continue a nadar...(Dori em seu momento auto-estima)

2 Monstro S/A (2001)
Resumo-Tweet: Na cidade de monstrópolis, dois amigos se vêem a devolver uma criança que escapou para o mundo deles, e acabam descobrindo uma grande farça na empresa.
Crítica: Perfeito. Assisti 17 vezes, depois parei de contar. Descobrir novos mundos já é legal, mas conhecer um mundo de monstros que na verdade se fazem de maus é melhor ainda. Na verdade, e sem querer viajar no sentido do filme, lição de moral é o que não falta: todo mundo na verdade se faz de monstro, mas no fundo, a bondade pervalece. E eu quero realmente acreditar nisso.
Moral: A melhor maneira de destruir seus medos é enfrentá-los
Lição aprendida: Além do guarda-roupas está monstrópolis, e, aquele monstro que te assustava quando você era criança, na verdade é bonzinho
Frase(s): *Gelolândia? Aqui é paraisolândia! (O abminável, ou melhor, o adorável homem das neves sobre seu habitat)
* Para começar é nefasta, ofende mas não assassina o português. (Mike)
* Leva esse treco para fora se não o bicho pega, o bicho pega! (Mike e Sam em um musical)
* Mike Azausky, você é tão legal (Lesma fazendo um elogio contagiante)

1 - Wall-E (2008)
Resumo-Tweet: Em 2700, o único habitante da Terra é um pequeno robô que tem a missão de limpar toda a sujeira que o homem deixou no planeta. Sua vida muda quando se apaixona por Eva, outro robô que juntos mudaram os rumos da humanidade.
Crítica: O melhor filme da minha vida. Imagina um filme lindo, mas assim, encantador: Wall-E bate. Ele é delicado, emocinante sem ser sentimentalista, engraçadinho sem ser cômico, ambientalista sem ser Greenpeace, perfeito. Não posso falar mais nada, eu realmente sou apaixonada pelo Wall-E, onde robôs são humanos e humanos são robôs.
Moral: Se não cuidarmos do planeta Terra agora, será o fim.
Lição aprendida: Robôs são românticos, lindos, perfeitos. Ainda me caso com Wall-e.
Frases: Não tem. Por isso é Perfeito.

28 agosto 2009

Aniversariando

Para muitos fazer aniversário não tem importância. Afinal, qual é a graça de ficar mais velho? Mais problemas, mais responsabilidades, mais rugas. As pessoas mudam, e em determinados momentos tudo o que desejamos é apenas conseguir parar o tempo e permancer ali pela eternidade. Eu acredito que isto seja o paraíso.
Minha visão de aniversário é igual a de uma criança: bolo, brigadeiro, balões, bagunça. Ganhar presentes e festa, afinal, é só uma vez a cada 365 dias! Muita coisa. E pior, existe toda uma preparação para isso: um mês de mal-humor, o temido inferno astral.
Neste clima foi que me dei conta de que são duas décadas de Fernanda no mundo, e resolvi fazer o que toda mulher insegura adora em momentos de crise: um balanço de toda a minha vida. Coloquei tudo em um papel: amores, amigos, inimigos, esperanças e incertezas. Confesso que até me surpreendi com um saldo positivo: amigos sinceros ao meu lado, uma família incrível, um namorado que me surpreende a cada dia. Obrigada a todos.
Tenho noção de que não sou a escritora revelação 2009, mas é notável a evolução dos meus textos, e daqui a 15 anos tenho a certeza de que me farei este mesmo balanço e o resultado será muito melhor, pois escrevo com sentimento e não com sentimentalismo. Acredito que o melhor parabéns que recebi hoje foi o meu próprio reconhecimento. Enquanto não consigo o paraíso, vou me virando no purgatório, e realmente espero que apareçam desafios muito maiores daqui para frente. A vida é isso aí.


 
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