04 março 2011

À manca com carinho

2005 não foi um bom ano para mim. Quem estava lá viu, sentiu, me viu chorando pelos cantos e corredores. Entretanto, a preocupação de uma pessoa mexeu particularmente comigo naquela longínqua época.

Aquela senhora de cabelos curtos tinha uma intimidade com a história assustadora. Apelidada secretamente de "manca", apresentava-nos Dom Pedro II como "Pedrinho", Napoleão como o "baixinho encrenqueiro" e João VI como o "gordo mal-educado". Estes e muitos outros personagens fizeram parte de nossa escola por dois anos, formando a cada bimestre mais uma leva de alunos interessados em fofocas de vários períodos históricos.

Como todo bom profissional, a senhora de voz imponente aplicava teste difícieis, que exigiam mais reflexão do que decoração de datas. A participação de todos os alunos (que explicavam oralmente o que entendiam dos textos que ela ditava) era fundamental, e difícilmente a senhora manca dava uma nota máxima, o que claramente provocou a antipatia de muitos. Mas sua competência em lecionar se sobressaltava, era o que importava.

Como uma das melhores e mais participativas da turma, tirava um "B" com muito esforço, o que me deixou encabulada algumas vezes. No segundo ano, quando quase todos os meus problemas adolescênticos resolveram florescer de uma única vez, decidi que não iria mais participar das aulas, limitando-me em minha insignificância. E assim passamos quase um mês, embora a vontade de expor minha opinião me corroesse por dentro. Tantos problemas em mente que não conseguia perceber que estava prejudicando apenas a mim mesma, abdicando do gozo de ser aplicada.


Foi então que, na primeira semana de volta às aulas, ela caminhou até a minha carteira e perguntou se eu estava melhor. Surpreendida com a indagação, ela me respondeu com palavras que ecoam há anos em minha mente. "É que antes das férias eu percebi que você estava mal, não quis falar nada, mas quando o aluno é bom a gente fica preocupada. Mas fico feliz que você esteja melhor". A sobriedade daquele elogio pode não ter tido efeito nenhum nela (e nem deveria ter), mas era realmente o que eu precisava ouvir. Dali em diante, eu não iria participar de qualquer aula pela nota, mas porque sabia que existiam pessoas que acreditavam em mim.

Aproximadamente um ano após este episódio, a professora Lilian nos deixou, sem eu ter tido a oportunidade de agradecê-la por tanto conhecimento sobre história e sobre a vida. Nunca pude dizer o quanto eu a admirava, mas tenho certeza que ela sabia disso, afinal, ela sabia de tudo. Sei que ela está bem onde está, discutindo história com o baixinho encrenqueiro e com Pedrinho. Obrigada.

Com o amor de sua aluna quase jornalista graças a você,
Fernanda Alcântara

22 fevereiro 2011

Laranjas e adolescência

O ano é 1971. No início de uma década  posteriormente chamada de “os anos da ressaca” é lançado “Laranja Mecânica” [original The Clockwork Orange], do diretor Stanley Kubrick. O filme, elaborado a partir do livro de Anthony Burguess em 1962, é uma brilhante combinação entre sentimentos, cores e sons, além de servir de inspiração e reflexão à juventude da época.

Para entender melhor o sucesso de Laranja Mecânica, é necessário entender seu contexto. Estamos no final da década de 60, e o sonho já havia acabado. Milhares de pessoas marcham contra a guerra do Vietnã, o rompimento com o tradicional [a contracultura], uma sociedade imersa pelo consumo, a invasão da publicidade e toda a propaganda ideológica da Guerra Fria e o desemprego adquirem uma nova concepção para uma juventude que preocupa uma solução simples e rápida a todos estes problemas.

O filme começa com o rosto do personagem principal, Alex, usando suas vestimentas clássicas que serviriam de inspiração para tantos outros jovens e grupos (em especial os punks), sendo ele quem conduzirá toda a narração da trama. O cenário é uma Inglaterra futurista, onde móveis exibem suas cores e formas exuberantes. Inicialmente, Alex e seus companheiros estão sentados e um bar surrealista. A partir das primeiras cenas já é possível observar a abordagem mais marcante de Laranja Mecânica: a violência. Durante todo o filme, Alex e sua gangue roubam, estupram e agridem gratuitamente civis, que variam de mendigos à civis. Através dos olhos de Alex, somos introduzidos àquela realidade distorcida, à agressão prazerosa. Esta violência urbana reafirma o quanto o filme relata sua época de diversos roubos na antiga Inglaterra, e ainda assim o roteiro continua atual.

A gangue é outro elemento importante que busca suprir a esses jovens a busca de pessoas semelhantes, obedecendo sempre a uma hierarquia, além de encontrar seu lugar no mundoatravés de um grupo. Participar de um grupo transmite o sentimento de participação, irmandade, respeito e lealdade, e essa ideologia foi um dos maiores heranças deixadas pelo filme. Alex era o líder de seus droogs, mas, devido a um desentendimento entre os membros do grupo, perdeu o controle da situação e vai parar na cadeia por isso. A medida em que eles se divertem através da ultra-violência, Alex tenta transmitir de que nunca será corrigido ou pego e sua mensagem se fortalece entre os jovens por se opor ao autoritarismo, o consumismo excessivo e o trabalho alienado, todos esses sinais aproximam mais Alex da realidade dos jovens ingleses.

O filme aborda ainda o poder e a violência do Estado, institucionalizado, amparado pela Lei e justificada pela desculpa da manutenção do controle da sociedade. Alex é utilizado como objeto de manipulação por interesses políticos que o transformam em exemplo bem sucedido de reabilitação. A propaganda estava em seu auge. No final (que não direi óbviamente), ressalta ainda o poder da imprensa, que transformou Alex em vítima. De certa forma, todos este pensamentos forma questões filosóficas, em relação no pensar na vida e de como conseguimos lidar com ela em uma das fases tão complicadas e opositoras que é a adolescência do homem.
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Atividade realizada em 2008 para a disciplina de Filosofia. Assistindo o filme pela enésima vez, pensei: Por que não postar neste meu blog tão abandonado? Prometo que, quando tiver tempo, posto alguma coisa sobre Cisne Negro, minha nova paixão cinematográfica.

29 dezembro 2010

Último post do ano

Com este tótulo auto-explicativo me despeço a este blog. Pelo menos por este ano.

Posso dizer que 2010 foi um bom ano. Minha vida profissional mudou bastante. Na falta de um, dois estágios me sugaram o pouco de energia e juventude que eu desconhecia possuir. Encarei muitas vezes com preguiça, desdém, mas também com garra, coragem, ao menos para aguentar tanta pressão somente até o final do ano. E consegui.

Na área acadêmica, comecei a sentir as garras e o bafo quente de um monstro chamado TCC. Sim, ele me assustou, me fez chorar mais do que qualquer outra matéria (afinal, este ano, pela primeira vez, não fiquei de exame). Mas até este monstro que arreganha os dentes com tanta raiva parece ter se acalmado e twittado: "não sou tão feio assim. Pode chegar perto". Estou mais serena para encará-lo também.

Do ponto e vista musical não deixou por menos. Ver Smashing Pumpkins e chorar com o show mais emocionante da minha vida até o momento não é pouca coisa. Mudhoney (!) e virada cultural integram-se a esta lista, com as devida considerações ao meu companheiro de aventuras e único leitor deste blog. ;)

Amigos merecem um parágrafo à parte. Pessoas capazes de andar até o Ibirapuera mesmo com gripe ou  caolhas, ou que sabem que as vezes um Big Mac pode fazer milagre ou que apenas ficam ao seu lado quando tudo parece desabar, com um olhar sincero e calmo que te dá forças para qualquer coisa. Agradeço 2010 por tais momentos.

Por último, a vida afetiva mostrou-se mais uma vez consolidada, mas não estagnada. A cada dia, surpresas e sentimentos fazem coisas simples entrarem para nosso álbum de recordações. Dois anos com uma pessoa é bastante tempo, e amando tão intensamente parece até milagre.

Enfim, declarações a parte, agradeço por todos os momentos bons e ruins deste ano. Sei o quanto 2011 se mostra instável e inseguro para mim, mas pensando em todos estes sentimentos (muitos deles compartilhados aqui), penso: e porque não? Que venha, mostre-se e acabe com todos os meus medos de "ano-novo". Amém.

24 dezembro 2010

Feliz natal!

13 dezembro 2010

2 Anos

Um poeminha rápido só para deixar a data registrada. Sabe comé, final de ano signigica sem tempo para nada.


Quem não tem namorado
Carlos Drummond de Andrade 

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namoro de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia.


Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas, namorado, mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado, não é que não tem um amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter um namorado.

Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa é quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar.

Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora em que passa o filme, de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, fazer cesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d'agua, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos e musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais. Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo, e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e de medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras, e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada, e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo da janela.

Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uam névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteira. Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. Enlou-cresça.

E por 1 hora e meia eu morri

E de repente começa o comercial. Eu estava há horas lá em pé, conhecia aquelas propagandas de cor-e-salteado, mas aquelas tinham um tom especial. Eu sabia que veria Billy. Ao final, o susto: algum idiota filhodaputa rampeiro desgraçado profissional descuidado colocou um trecho do show do Pavement, banda que tocou antes dos Pumpkins, cuja qual Billy havia xingado em entrevistas anteriores. O medo: será que o Billy viu aquilo? Sinceramente, amo aquele careca, mas conheço o temperamento difícil destes artistas. Uma brincadeira daquelas poderia colocar tudo a perder. Os segundos mais longos da minha vida, eles demoravam para entrar.
Mas entraram. Billy está velho e gordo, e isto é muito estranho. Você começa a comprovar que seus ídolos envelhecem. Mas foda-se, eu amo Pumpkins. Confesso que fiquei meio perdida em algumas das músicas novas, as duas primeiras eu não conhecia, mas ele começou a tocar Today e a sensação passou. Mais uma desconhecida e... Ava Adore. Comecei a morrer ali. Esta canção, para quem não conhece, sempre ficou no Top 10 da minha vida e, dentre as "românticas", sempre foi a minha favorita. Ela não se prende ao melodramático, mas ao falar algo como "É você quem eu adoro, você sempre será minha prostituta/Você será a mãe das minhas crianças, e a criança do meu coração", não há declaração mais sincera, mais crua, mais real.
Depois dessa não tinha como ficar melhor. Bullet With Butterfly Wings, Tarantula, Drown, Cherub Rock, Zero e a bela Stand Inside Your Love, em todas elas me descabelei, gritei, chorei. Como eu disse, o efeito das músicas do Smashing Pumpkins é algo que não consigo explicar. Eu já estava cansada, mas curtindo cada segundo, quando Billy e seus amigos pouco introsados começaram a música que segue abaixo. Quem lê este post pode discordar totalmente disto, mas acho esta a letra mais bonita que já vi na minha vida, é de uma doçura deprimida que só os Pumpkins tem. O show acabou ali e, ao terminar esta música, senti que a minha vida antes de ver os Pumpkins ao vivo também. Eu morri naquela noite.



Observações

1) Tocaram A Song for a Son e o baterista solou Moby Dick, e lembrei do @oscar_batista. Valeu pessoa!

2) Ao tocar Ava Adore, sonhei estar ao lado do meu namorado mais maravilhoso, que possibilitou meu relacionamento mais duradouro exatamente por esta relação intensa. Faz dois anos que você é quem eu amo de verdade. :)

23 novembro 2010

Planeta Terra 2010 - Impressões

16h00 - Mombojó
Banda legal. Mais uma daquelas brasileiras com um sotaque carregado do vocalista. Não vi o show inteiro, mas achei bacana para quem curte este estilo. 9 horas e meia para os Pumpkins.

17h30 - Novos Paulistas
Típico grupo da Nova Brasil FM. Um monte de gente gosta, mas eu acho chato, cansativo e nada a ver com o festival em si. Vi o show de costas, confesso, mas não me arrependo. 7 horas para os Pumpkins.

19h00 - Of Montreal
Transsexual Transgressor demais para mim. Umas coisas estranhas, muito estranhas. Performance psicodélicas, não entendi nada, nem banda, nem letras. E até agora estou me perguntando se o vocalista era menino ou menina. 6 horas e meia para os Pumpkins.

20h30 - Mika
E para quem pensou que o festival estava perdido tirando os Pumpkins, conheci o Mika. Ele é tipo um Chris Martin com Fredy Mercury, Jason Mraz e Elton John, saca? Enfim, músicas fofas, bela performance em palco, apaixonei. 5 horas para os Pumpkins.

22h00 - Phoenix
Eu gostei das músicas, mas acho que preferia elas no estúdio. Entretanto, a performance louca do vocalista foi cativante, se jogando duas vezes no público. Ele é tipo um Mark Arm (Mudhoney) em seus bons tempos. Gostei maomenos. 5 HORAS PARA O SMASHING PUMPKINS PORRA.

23h30 - Pavement
Ah, o tão esperado Pavament. Sinceramente gostei. Eles arrasam ao vivo, e olha que eu estava morrendo de ansiedade e de sono, mas conseguiram prender a minha atenção. (e foi a única banda exigentemente pontual, começando enquanto ainda tava rolando o comercial do festival). OMG. SMASHING PUMPKINS. FALTA POUCO, MUITO POUCO.

25 outubro 2010

Nobel por quebra de dogmas

Prêmios Nobel sempre serão polêmicos, independente de sua categoria. As críticas à premiação criada em 1901 na Suécia envolvem pontos de vistas políticos, econômicos, sociais e enfrentam muitos desafios por parte de críticos do mundo inteiro. Esta semana o prêmio gerou mais uma polêmica para a sua coleção: a entrega do Prêmio Nobel Medicina a Robert Edward, pesquisador que desenvolveu a técnica de fertilização in vitro. A Igreja Católica iniciou então uma série de ataques ao Comitê que escolhe os prêmios Nobel, comparando a técnica a uma cultura “embriões são vistos como produto”.

Em toda a História do homem podemos observar a ação da Igreja e da fé como transformadoras da maneira em que vivemos. Por ser o único animal a realizar rituais originados pela fé por algo impalpável, o homem acaba limitando sua criatividade e suas opiniões em função de algo que acredita ser maior que sua própria existência. A partir deste conceito é que começam as guerras de pessoas como Robert Edward. A coragem de enfrentar instituições como a Igreja tem um significado muito mais amplo do que simplesmente criar a vida: é adquirir a liberdade através do conhecimento ao invés das armas.

Regras impostas pelo Vaticano vêm perdendo o sentido desde o fim da Idade Média. Entretanto, valores gerados na idade das trevas continuam presentes na sociedade atual como fantasmas, coisas a não serem discutidas. Poucos se atrevem a enfrentar de frente questões como o aborto com naturalidade, ignorando que a temática é uma questão de saúde pública. Se não fosse pela coragem e pela revolução liderada por cientistas através do conhecimento, a população continuaria morrendo por doenças incuráveis, esperando a solução nas mãos de uma instituição truculenta e intolerante. Cabe a nós relembrar o que aprendemos com a História: são as convicções humanas que fazem milagres, não a Igreja.

Com a declaração do Vaticano sobre as técnicas in vitro de fertilização, a Igreja Católica reafirma seus dogmas ultrapassados. A proibição do uso de camisinha, por exemplo, ignora um dos grandes males do século XX, o HIV. O objetivo de expor os fiéis a diversas doenças sexualmente transmissíveis. E para quê? Para manter as poucas regras que restam de uma instituição que transforma prazeres em pecado, menosprezando a vida por algo muito “maior”. Entrando neste jogo de questões, se Deus deu a sabedoria ao homem, por que ignorá-la? A Igreja prefere não responder.

A fertilização in vitro vem como mais uma prova de que é possível enfrentar os dogmas pré-estabelecidos e realizar uma revolução através do conhecimento. A declaração da Santa Sé de que a técnica discutida abriu caminho para uma cultura em que os embriões são vistos como commodities é mais uma tentativa obscura de tentar controlar uma sociedade que hoje pode pensar e agir sozinha, vivendo seu próprio tempo, o século XXI.

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Artigo produzido para a disciplina de Técnicas de Redação I, da Faculdade Cásper Líbero.

19 outubro 2010

Como pedir demissão com estilo

Só porque estou muito estressada com estes dois empregos (e também porque só agora entendi como colocar vídeo no blog, graças ao @oscar_batista), segue um dos melhores vídeos que eu já vi no blog do Não Salvo.

(dica: prestem atenção no tigre desde o início)

 

18 outubro 2010

Heróis gregos

Mais uma postagem daquelas aceleradas, como o coelho de Alice no País das Maravilhas, indo para algum lugar que nem mesmo ele sabe, mas com pressa. A questão é que este sábado foi marcado pela tragetória de dois personagens de ficção, um do cinema e outro de um livro, que conquistaram o meu coração e permitiram a mais sincera reflexão sobre o mundo, sobre a política brasileira e, acima de tudo, sobre os seres humanos.

O primeiro é conhecido por quem leu o último post deste blog. Bento, ou melhor, Bento Lucas, o trigézimo "abençoado" disperto no mundo pós-Noite Maldita, teve todas as fases de um herói: de fraco e confuso, passou a líder absoluto e depois a chefe insandecido, devido a sua fixação em cumprir de forma correta sua missão na Terra. Sei que vocês não entenderam muito, mas deixo os detalhes para quem quiser se maravilhar entre as páginas deste que considero um dos melhores livros que já li. Nosso herói faz com que nos apaixonemos e depois recuemos, com uma mistura de medo e sedução. Lucas vai conquistando a cada página mais fiéis, que desejam tanto quanto ele que tudo acabe, que os vampiros sejam destruídos. Entretanto, mais do que os vampiros, o mundo só conseguirá respirar em paz se, acima de qualquer outra coisa, os homens possam continuar a viver em comunhão, tal como aprenderam após a chegada dos vampiros. Dá para imaginar? São Paulo sem violência, sem trânsito, com todos trabalhando junto por um bem comum? É. atualmente, não dá. Mas não devo lhes adiantar mais nada sobre este livro. Leiam.

Meu outro herói (ou podemos chamar de anti-herói) neste final de semana foi o Capitão Nascimento. Alguém pode até não gostar do primeiro Tropa de Elite (se isso for mesmo possível), mas tenho que confessar que o segundo é simplesmente ge-ni-al. A imagem é de um ser humano que realmente "cai para cima" e que, por seus ideiais profissionais facilmente questionáveis, se afasta de sua própria humanidade, de sua pessoalidade. Quem não assistiu também deve se achar perdido, e quem assistiu como o Renato Bazan virá com outras 300 reflexões do filme, todas válidas. O que discuto aqui é a personagem, que por si só já daria muito "pano para manga" para diversos psicólogos de plantão. Tal como o livro, fica minhas sinceras recomendações: assista, mesmo que na versão pirata... =p

Entretanto, o que queria dizer nestas poucas (que já são muitas palavras) é que estes dois personagens me conquistaram esta semana pela tragetória do herói Grego, que através de suas aventuras acabam se auto-descobrindo, fazendo com que o leitor/espectador possa ser envolvido por esta aura que os cerca em suas jornadas, que nos faz rir, chorar, odiar e amar junto com eles. Fica a dica de um livro e um filme e, só para não dizer que esqueci da  música, segue o clipe de uma interpretação fenomenal do Seu Jorge, mesmo em uma música do Zeca Pagodinho, em homenagem a sua rápida atuação em Tropa de Elite 2.


01 outubro 2010

Bento

Faz muitos séculos que eu não posto no blog. Escrever para ele? longe de mim ...Virou bagunça, um Ctrl+C / Ctrl+V danado, e seria hipocresia minha falar que tudo isso é culpa da Faculdade ou do nascimento do meu TCC, pois sinceramente, não é. Me pergunto: falar sobre o que? Mais uma declaração de amor ao meu namorado? Aos amigos? Política (assunto da moda)? Não sabia o que escrever até que ,de repente, as coisas começam a entrar num thriller tenso, onde não consigo dormir, acordar, trabalhar sem lembrar de minha nova obcessão: Bento.
Não, não estou traindo meu namorado. Bento é o nome de um livro André Vianco publicado em 2003 pela Editora Novo Século. Ficou famoso ao ser lançado, pois após o primeiro livro do autor, Os Sete, fez muito sucesso entre jovens e adultos ao contar a mágica história sobre vampiros. Sim, eu disse vampiros. Mas vampiros de verdade, que matam, esquartejam, brincam com os humanos, bebem sangue e principalmente: não brilham no sol. Bento é o primeiro de livro de uma trilogia, sendo seguido por O Vampiro-Rei Vol.1 e O Vampiro-Rei Vol.2. E o melhor de tudo? É brasileiríssimo.


Enfim, tudo isso é informação técnica, adquirida em qualquer Wiki por aí. O que eu queria dizer sobre Bento é a forte atração que me tomou por inteira nesta última semana. Desde domingo, quando comecei a saborear cada página, conto os segundo para poder avançar mais um pouco em uma história aluciante, repleta de magia, ação, descrições técnicas. Como diria Bazan, é um "livro para meninos". Talvez seja isto que me atraia. Os palavrões nunca exagerados, a boa escrita, e o estilo irrefutável de André Vianco, a ausência de clichês. Sim, estou apaixonada por Bento, Lucas, Cantarzo, Adriano, Raquel (a vampira gótica-ruiva, me lembra certas Carolines). Cada personagem, cada história, consigo visualizar a câmera mudar de ângulo, o sons, os cheiros, as testuras. 
De fato, não sei como até hoje este magnífico livro não virou filme, mas ainda bem que isto não aconteceu: prefiro guardar as minhas imagens sobre cada personagem, numa mistura de tesão e compadecimento por todas as criaturas. Enfim, acredito que este livro cumpriu seu papel de quebrar a minha ausência não só deste blog, mas do prazer de ler um livro. Até porque neste bimestre terei que ler Grande Sertão Veredas, então é bom preparar a cabeça e pegar mais leve com estes vampiros. De toda a forma, fica a dica para você que gosta de vampiros, monstros e afins, que gosta de imaginar São Paulo em uma outra situação, ou que admira um bom livro.

23 setembro 2010

Descrevendo-se

Mais um trabalho, digamos, exótico da faculdade. A idéia era descrever-se, apenas o rosto, de forma densa (seja lá o que isto signifique). Ainda não tenho a nota deste trabalho, mas vai chegando um tempo em que a nota é uma das poucas coisas que realmente importam, tá compreendendo. E fora que esse blog tá muito jogado às moscas, preciso dar uma agitada nele. Segue.

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Um rosto jovem como um sábado à noite, de formato redondo como desenhos para colorir, com uma pele morena da cor da poeira da estrada, do trabalho no campo. Ainda assim, não se pode afirmar que este é um rosto negro, pardo ou fruto da miscigenação, pois a pele vai molhando a terra batida conforme a proximidade dos lábios umedecidos como lenços de papel para bebês. Estes lábios portam um sorriso agridoce, laranja, com um tom roseado como um chiclete de morango na parte inferior, e na outra parte um pouco mais escuro, como se cada parte da boca pertencesse a pessoas diferentes. 
Dos olhos é possível sentir o cheiro do verniz que caíra condensado, em gotas, por cima da única parte branca de todo o rosto. Neste único espaço em branco é possível enxergar pequenos rabiscos vermelhos e duas bolinhas negras, como se o desenhista tivesse se descuidado na arte final e tivesse esquecido de apagar os lugares por onde seu lápis passou. Acima dos olhos crescem pequenas folhas de um capim negro, indeciso, que vão formando um ângulo de 180º até se dissipar na terra. As olheiras que negras abaixo dos cílios curtos são como enxergar cinquenta anos vividos em cinco dias, um cansaço que contrasta com a imagem jovem da pele sem rugas.

Próximo ao nariz é possível encontrar ainda duas pintinhas, pequenos buraquinhos por onde o ouro negro tenta passar pela terra. No restante, não é possível encontrar nenhuma falha realmente aparente, pois as maçãs do rosto se escondem por trás de ariscas tranças. Uma a uma, vão construindo um mosaico de fios, curvas e espaços vazios, como uma floresta de eucaliptos contra a gravidade. As raízes são escondidas por um chapéu, feito cereja do bolo, completando a aparência rusticamente feminina, uma Xica da Silva dos anos 30.

29 julho 2010

Abóboras no Brasil

"Time 
is never time at all
You can never ever leave without leaving a piece of youth
And our lives are forever changed
we will never be the same
the more you change the less you feel"
Tonight Tonight
 
Smashing Pumpkins (Abóboras esmagadas em tradução livre) é uma banda grunge-gótico-alternativo(e recentemente psicodélica) que alcançou seu auge nos anos 90', com Billy Corgan no vocal, James Iha na guitarra, D'arcy Wretzky no baixo e Jimmy Chamberlin na bateria e percussão. A banda, que passou por um grande hiato desde 2000 por motivos de brigas internas, drogas e outras coisas típicas de bandas de rock, voltou em 2006, com algumas mudanças na formação original. Atualmente, somente Corgan continua na banda, que tem lançado as faixas do novo CD para downloads gratuitos na internet. No site oficial da banda, foi confirmado a presença deles no festival Planeta Terra, a ser realizado no dia 20 de novembro deste ano no parque de diversões Playcenter.
Tá, aí você me pergunta: e eu com isto. Eu, educadamente, respondo: não sei qual é a sua relação com esta banda, mas pra mim, tudo mudou. Meus quinze anos de volta. Se você me conhece, principalmente por msn, sabe que eu sou louca por esta banda. As letras mais profundas e sombrias sobre a conturbada e triste adolescência flutuam entre as letras e as melodias dos Pumpkins. Me sinto eufórica, e contente, e anciosa, e feliz, e conturbada. Tudo ao mesmo tempo. Faz anos que não me sinto assim. Acho que desde quando conheci a banda, mesma época em que me apaixonei por outros como Alice in Chains, Nirvana e Pearl Jam. E sim, este não é um post de uma estudante do terceiro ano de jornalismo da Cásper Líbero, mas sim de uma fã enlouquecida que, desde que foi confirmado oficialmente o show, não consegue ouvir outra coisa. O fato é que faltam 121 dias para eu estar no mesmo ambiente que um ídolo dos meus tempos mais sombrios, um dos poucos que ainda vivem. E não perderei este show por nada que seja deste mundo.

"Inside of me and such a part of you
Ooh, the years burn"

18 julho 2010

Viagem a Minas Gerais

  Pão de Queijo

Doce de Leite


Goiabada


Bolos




Fato: Minas é uma delícia.

01 julho 2010

Para descontrair

Acho esse texto que postei muito pra baixo. Para recompensar, segue o vídeo mais guti-guti que eu já vi na internet. Ele é antigo e provavelmente você já cruzou com ele antes, mas sempre vale a pena ver denovo.

Exercitando meu estilo literário

Giovana sentou, olhou, pensou, murmurou, chorou, e depois sorriu baixinho. O que seus quinze anos diriam a nós se descobrissem que nada funcionou? Na cama do hotel, de colchões e mantos que quase engoliam o quarto, não se conformava com o fato de que nunca fora feliz. Chorou. Sentia que alguma coisa estava errada, mas nunca conseguiu descobrir por que a alegria a rejeitou. A viagem para os Estados Unidos e França e Espanha e Japão e Butão e outros países que tivessem a felicidade como lei, de nada adiantaram. Nascera para ser infeliz, constatou.

Sorriu baixinho porque o televisor estava ligado. No telejornal, uma moça de cabelos negros avermelhados anunciava que um projeto talvez fosse aprovado, um grupo de pessoas queriam que a felicidade fosse um dever do Estado. Seria o fim de seus problemas, de suas dúvidas, de seus dilemas, de sua morte? A janela aberta revelava um dia acinzentado, calado, molhado. Pecando contra sua própria natureza, por um momento morte não era um resultado. A felicidade. Há felicidade. A Esperança havia retornado.

Giovana decidiu então  mudar na vida. Se jogar por inteiro em uma alegria tão superior e suprema que sua satisfação seria suficiente para sair do sofrimento. Pretendia sair e beber e dançar e cantar e curtir e ficar com qualquer pessoa que lhe oferecesse cinco segundos de diversão. O importante não era o quem ou o aonde, mas que colocasse fim nas minhas feridas dentro dela, tonando-se livre de qualquer violência. Correria cuidadosamente para fora hotel, com qualquer estranho que tivesse um carro veloz.

Mas então abriu a porta e seu pai lhe esperava sem calças, sem alegria, sem pudor, sem alma. Sabia que não era Giovana, nem Ana, nem Fernanda, nem Santa... era Lolita. Seus olhos de lágrimas latentes e lúbricas lamearam-se de repente, entre a maquiagem pesada e os cílios negros, formando um rio que percorria seu rosto. As feridas se abriram, como outras partes de um corpo que já não se encontravam em seu poder. Nem o PEC da felicidade nem o Artigo 172.º do Código Penal poderiam salvá-la da escravidão, da servidão, da aberração e solidão. Seu pai estava dentro dela e isto era tudo.



*Texto escrito para a matéria de Técnicas de Redação I da Faculdade Cásper Líbero.

25 junho 2010

Copas do mundo

No país inteiro, não se fala em outra coisa. Nos bares, nas ruas, no transporte público, não importa: todo mundo tem seu lado futebolístico nesta época. A equação é muito simples: você não gosta de futebol, você não é brasileiro. 
A questão que me ponho a pensar na verdade não é de oposição nem de apoio a este fenômeno que acontece de 4 em 4 anos. Ultimamente ando muito nostáugica (por motivos que a própria razão desconhece), e então comecei a me perguntar aonde estava na Copa passada. Sim, porque eu deveria estar em algum lugar.
O pensamento foi muito muito além do que uma simples volta ao passado. Eu realmente não lembrava de muitas coisas. Sabia nomes como Parreira, lembrava que Dunga estava no comando da seleção do Japão (tava, não tava?). Trabalhava ainda com meu pai, estava no último ano do colégio, fui embora mais cedo por causa do jogo. Não, eu não assisti o jogo: eu durmi mesmo. Época bem tensa da minha vida, acordar 5h30 da manhã, ônibus para o colégio - acho que as coisas não mudaram muito. Tudo bem, parei com o momento introspecção (caro leitor, você não precisa saber tantos detalhes assim sobre mim). Mas isso faz pensar quanta coisa mudou. Amigos, pensamentos, sentimentos. E ainda teve a cabeçada do Zidane.
Tudo isto é muito vago para quem ler este texto, mas sugiro o mesmo exercício: o que você estava fazendo na Copa passada? Se esta pergunta te assusta, imagine-se então tentando responder o que você estará fazendo na Copa de 2014. De toda forma, um futuro presidente terá mudado o país, sua vida e seus amigos serão outros, talvez algum nascimento ou casamento no meio do caminho. O fato é que a vida segue seu rumo, as coisas mudam, mas estaremos lá, todos, torcendo para a seleção. Ou não.

17 junho 2010

Amizades: encontros e despedidas

Já postei inúmeras vezes neste blog sobre a amizade. Sei que para muitos este é um "não-tema" ou coisa de adolescente, mas acredito que os poucos leitores deste blog saibam os motivos que me fazem recorrer tanto a este tema. Acho que a amizade é como a paixão: por mais que já tenhamos sentido por muitas pessoas, nunca descobriremos por que tal sentimento começa ou termina. Simples assim.
Ainda assim, a amizade é muito menos intensa - e também muito mais sólida - que a paixão.A paixão, quando acaba, dói. Dói de forma lancinante, nos faz acreditar que aquela dor nunca vai passar. Mas passa. Pode demorar dias, semanas. Mas passa.
Com uma amizade é diferente. Quando se é amigo de uma pessoa, envolvendo toda a sua alma nisto, é muito mais doloroso aceitar que o sentimento acabou. Muitas vezes você não percebe a ferida, afinal, não é como a paixão que destrói tudo à sua volta. Quando uma pessoa deixa de ser sua amiga, você fica chateado, os dias parecem mais negros, as coisas parecem mais tristes. E a dor é pra sempre.
Serei um pouco mais direta - e pessoal. Sempre tive poucos amigos (já fui muito mais anti-social do que hoje), mas os que tive sempre tiveram toda a minha deditação. Existem brigas, é claro,  mas a verdade  que quando eu coloco uma pessoa em minha listinha pessoal, é pra valer.  
O oposto também se aplica. Quando preciso arrancar alguém da lista, dói. Alguns eu jamais consegui riscar, mesmo quando realmente mereceram (não é, Oscar?). Outros amigos, mesmo que as circunstâncias tornem isto mais difícil, é necessário fazer parar a dor de perder o respeito por quem já se admirou um dia. As pessoas crescem, mudam, e de repente se tornam mundos completamente diferentes. Não acho que o  meu jeito seja melhor que de outros, tão pouco acredito que estas precisem de mim. O problema é exatamente o contrário: o erro foi meu, que deposito tanto amor em certas pessoas que acaba sufocando facilmente. E dói.
Mas é chegada a hora. Jamais perderei a educação, a elegância ou a compostura,  e talvez alguns jamais percebam esta ruptura. A mudança não é tão explícita, é mais profunda do que algumas pessoas conseguem enxergar. Apenas um nome na lista. Mais uma despedida.

Mudanças...

... de layout e design.

Legal né?

09 junho 2010

Declaração de Amor IV

Lanchonete de alguma faculdade em São Paulo.

- Vamos pedir mais uma porção de batatas?
- Vamos!
- Pensando bem, é melhor não pedir não. Estou me sentindo meio gorda.
- Eu que o diga, engordei mais desde que comecei a namorar você.
- Mas dizem que namoro engorda mesmo, Re.
- É... principalmente quando você tem uma namorada gulosa...
- Deixa eu entender... Você está me chamando de gulosa?
- Quem foi que sugeriu comprar mais batata mesmo?

....

Um ano e seis meses, dia dos namorados. Algumas coisas não mudam.

 
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